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"Eu não sou vítima do mundo que vejo."

Uma reflexão sobre a Lição 31 de Um Curso em Milagres 



Algo que tenho aprendido com o estudo e a prática de Um Curso em Milagres é que, a cada instante, tudo na mente pode mudar.


Já li, reli e pratiquei a Lição 31 — "Eu não sou vítima do mundo que vejo" — diversas vezes. Mas confesso que, nos últimos dias, ela me encontrou diferente. Ela encontrou um espaço um pouco mais disponível dentro de mim.


Por muito tempo, vivi acreditando que era vítima.


Vítima do mundo. Da economia. Do país. Dos relacionamentos. Dos meus pais. Da escola. Dos professores.

Depois, mergulhei no autoconhecimento e passei a acreditar que era vítima da personalidade difícil, do signo, das energias negativas, da minha história, do corpo e do metabolismo lento.


Em 2019, encontrei Um Curso em Milagres. E, por um tempo, pensei que era vítima do sistema de pensamento, da culpa, do medo, dos pensamentos equivocados, do perdão verdadeiro ou do meu próprio esquecimento.


O mais curioso é que, quanto mais aprofundava a prática, mais a vítima encontrava novas formas de existir. Em alguns momentos, me sentia (e ainda me sinto) até vítima de Jesus, do Espírito Santo, das palavras do Curso, da metafísica, das 365 lições, dos facilitadores que compartilham experiências tão distintas e dos estudantes que pareciam praticar "melhor" do que eu.


A falsa identidade de vítima apenas trocava de roupa.


Foi então que essa lição deixou de soar como uma frase bonita e se tornou um convite. Um convite para deixar de investir nesse autoconceito.


Isso não significa negar a dor, fingir que ela não existe ou ridicularizar o sofrimento. A prática pede justamente o contrário: que não escondamos nada. Ela nos convida a olhar tudo com honestidade.

E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores gentilezas desse caminho.


Nos atendimentos, por exemplo, tenho observado que, quanto maior é a nossa disponibilidade para reconhecer o pensamento de ser uma vítima, mais rapidamente voltamos a reconhecer a felicidade presente. Não porque as situações mudem, mas porque deixamos de defender a dor como se ela fosse aquilo que somos.


Enquanto não reconheço o que estou escolhendo manter, dificilmente reconheço também o meu pedido de ajuda. Continuo tentando resolver tudo sozinho, convencer a mim mesmo, encontrar culpados, justificativas ou explicações.


Mas, quando reconheço essa identificação, algo se abre.

Consigo ouvir esse pensamento pequeno que fala da separação e, sem precisar lutar contra ele, posso entregar ao Espírito Santo a minha crença no que ele diz.


Esse reconhecimento não é uma condenação, nem é um ataque. É o início da disponibilidade para escolher novamente.


Passo a considerar:

"Talvez eu não seja uma vítima do mundo que vejo. Talvez eu nem queira ser."


Porque, às vezes, até a forma como defendemos a nossa dor é apenas mais uma tentativa de preservar uma identidade que nunca foi verdadeira.


"Eu não sou vítima do mundo que vejo" é um convite para deixar de defender essa identidade e abrir a mente para um outro jeito de ver e de viver.


E, sinceramente...

"Acima de tudo, eu quero ver." (lição 27)

E você?



Um convite à prática


Talvez você queira levar a Lição 31 para além da leitura e observar, com honestidade e sem julgamento, onde a ideia de vítima ainda aparece na sua mente.


Não é preciso encontrar respostas. Apenas observar. Pergunte-se:

  • O que acredito que aconteceu comigo e que explica o que penso que sou?

  • Há alguém que ainda considero responsável pela forma como me sinto? Quem?

  • Existe alguma parte de mim que acredita que Deus ainda não compreendeu completamente a minha situação?

  • Que imagem de mim mesmo preciso preservar para continuar sendo vítima?


Vamos juntos!

Com amor,

Pri



Uma das coisas mais simples e libertadoras que tenho lembrado é justamente reconhecer como o ego sustenta a identidade de vítima. Quando olhamos juntos para a nossa escolha, começamos a perceber o quanto esse sistema de pensamento é a defesa de um eu pequeno ilusório.


A vítima é persistente. Ela muda de história, de cenário, de linguagem. Às vezes veste o autoconceito da criança. Outras vezes, da personalidade. Outras, da espiritualidade. Ela apenas procura uma nova justificativa para continuar "existindo".


Reconhecer isso nem sempre é confortável, mas toda travessia pode se tornar mais leve quando é compartilhada.


Se você sente o chamado para aprofundar essa prática e deseja ser acompanhado(a) nesse caminho, será uma alegria caminhar ao seu lado. Clique no botão abaixo para saber mais:



 
 
 

2 comentários


Andrea Maria G. Monteiro
10 de ago.

Sinto tanta gratidão pela sua clareza e disponibilidade de olhar para dentro sem medo e sem filtro. Quanta luz! Obrigada por iluminar o caminho e me guiar para fora da escuridão, por ser sustento e travessia. Não solto sua mão, obrigada pela condução.

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Pri Rôde
Pri Rôde
11 de ago.
Respondendo a

É uma alegria poder contar com a tua/nossa luz nessa jornada! ✨🙏

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© 2022 por Priscila Rôde - Bahia/Brasil​​

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