Você não é pequeno
- Pri Rôde

- 25 de ago.
- 5 min de leitura

Hoje quero compartilhar com você uma reflexão sobre a seção III que está no capítulo 15 do Livro Texto de Um Curso em Milagres (UCEM). Uma seção dedicada a um tema que atravessa toda a nossa prática:
a escolha entre a pequenez e a magnitude.
Se você ainda não conhece os ensinamentos do livro Um Curso em Milagres (UCEM), fica aqui o convite para se aproximar um pouco mais desse caminho. E se já pratica ou não, convido você a mergulhar comigo. Sempre que surgir alguma dúvida ou reflexão, compartilhe nos comentários. Não porque isso vá necessariamente esclarecer a sua dúvida, mas porque expressar o que sentimos já é, em si, um exercício de clareza. Vamos juntos?
A pequenez
Segundo o Curso, o mundo é falsa percepção e todo ele foi feito a partir da pequenez, do pensamento de separação. A pequenez é essa identidade falsa e pequena, a crença de que o mundo pode nos contentar. Sempre que lutamos por alguma coisa no mundo acreditando que ela vai nos trazer paz, estamos, na prática, nos diminuindo e nos cegando para a nossa própria grandeza. O Curso é direto: não há problema em reconhecer a pequenez, é importante que a gente entenda exatamente o que ela é e por que jamais poderia nos satisfazer.
Vale a pena parar por um instante e se perguntar: em que momentos eu me vejo pequeno? De que forma eu tento me diminuir? O Curso já responde: sempre que acredito que algo fora de mim pode me trazer paz. Se o problema está fora, a resposta também parece estar fora e assim eu confirmo, de novo, que a causa do meu estado não está na minha mente.
É exatamente aí que a gente assume um papel que não tem nenhum significado na realidade e que é muito atraente e, ao mesmo tempo, muito pequeno. "Estou transtornado pela razão que imagino e sou vítima do mundo que vejo." Enquanto não reconhecemos isso, praticar o Curso vai parecer muito difícil porque, de fato, o lugar da pequenez é um lugar sem poder. E a experiência com esses ensinamentos nos revela exatamente o oposto:
"Tu, que te percebes fraco e frágil, com esperanças inúteis e sonhos devastados; tu, que nasceste apenas para morrer, chorar e sofrer dor, ouve isto: a ti todo o poder é dado na terra e no Céu. Nada é impossível para ti." (Um Curso em Milagres)
"A dor é inevitável, o sofrimento é opcional"
Não sei de quem é essa frase mas, ela pode nos ajudar um pouco agora. Mesmo sabendo que cabe questionar até que ponto a dor é mesmo inevitável, fica valendo a ideia de fundo: o sofrimento é uma reação, algo que alimentamos. Isso não significa que não vamos sentir nada. Vamos sentir medo, angústia, tristeza. Vamos experimentar sofrimento muitas vezes ainda. Mas, quando estamos identificados com a pequenez, não temos poder algum sobre isso, e tudo isso parece ter todo o poder sobre nós. E o sofrimento é justamente a expressão dessa percepção que nós mesmos escolhemos manter.
Toda escolha é uma avaliação de nós mesmos
Um dos pontos mais práticos dessa seção é a ideia de que
o que percebemos demonstra o que pensamos sobre nós mesmos e o propósito que escolhemos.
O tempo todo estamos demonstrando o que pensamos que somos: no trabalho, nas relações, em cada palavra e em cada gesto. O que eu escolho perceber em tudo aquilo que penso que quero, que desejo, que é indispensável para mim, está me contando o que eu penso que sou.
Escolher a pequenez é não escolher a paz, porque a pequenez acredita, sempre, que a paz vem de fora. Podemos buscar, mas não vamos achar. Esse é o dilema do ego: ele nos convida a buscar sem nunca encontrar. E
qualquer coisa que ofereçamos a nós mesmos no lugar da paz verdadeira é, sempre, algo pequeno demais para nos contentar.
Podemos até sentir um alívio passageiro, uma euforia inicial mas, ela passa, e vem a próxima busca.
Reconhecer é o primeiro passo
Diante disso, é natural que surja alguma revolta: "não quero que seja assim, quero buscar e achar fora de mim a minha felicidade, quero que isso/essa pessoa mude ". E tudo bem sentir isso. É importante sermos honestos com o que sentimos. Costumo dizer que, às vezes, o caminho "mais espiritual" é justamente parecer o "menos espiritual": ser íntegro com o que estamos pensando e sentindo, em vez de fingir uma paz que ainda não reconhecemos de verdade. Isso não é uma justificativa para atacar o outro, mas uma oportunidade para olhar para dentro sem se esconder de si mesmo.
O convite do perdão é exatamente esse: nos lembrar que não somos pequenos diante do mundo que vemos, que não estamos transtornados pela razão que imaginamos, que todo o poder de decisão é nosso. Somos responsáveis pelo que pensamos, sentimos e vemos e é aí que está a Magnitude.
Vigilância é presença
Manter a magnitude em plena consciência, num mundo feito de pequenez, exige vigilância. Mas vigilância aqui não é sacrifício, não é peso, não é esforço contra nós mesmos. Vigilância é presença. É estar atento aos próprios pensamentos, presente na própria mente, sem se distrair com o que a pequenez tenta oferecer.
E esse esforço de vigilância nunca é solitário: ele é sustentado, de acordo com o Curso, pelo próprio poder de Deus/da Razão/do Discernimento que apoia cada movimento que fazemos em direção à nossa magnitude.
Nunca estamos sozinhos!
Nossa função não é pequena
Qual é, afinal, a nossa função? De acordo com o Curso, é o Perdão. E o que o perdão nos lembra, na prática, é bem simples: há um outro jeito de olhar para isso. Cada vez que pratico o perdão, que olho para aquilo que estou projetando e reconheço minha responsabilidade sobre essa percepção, estou escolhendo a magnitude em vez da pequenez.
E há um convite nisso tudo: nunca dar a pequenez, nem aceitá-la em nós, nem no outro. Por exemplo, quando estamos estudando e trilhando um caminho de autoconhecimento, pode ser atraente olhar para quem ainda parece não trilhar esse mesmo caminho com uma espécie de compaixão disfarçada de empatia ("olha só, ele(a) ainda não despertou" ou "esse teu caminho ainda não é o mais verdadeiro mas, o meu é e eu posso te ensinar"). Isso também é uma forma sutil de dar e receber, ensinar e aprender a pequenez.
Toda honra é dada ao que É real em cada um.
A prática é o caminho
Tudo isso, no fim, se aproxima através da prática. Não me lembro da minha magnitude falando sobre ela, mas quando a pratico. Não aprendo o perdão lendo sobre o perdão, mas exercendo-o a cada instante, diante de cada situação, cada pensamento, cada emoção que surge. A convicção só vem da experiência.
E essa escolha, entre a pequenez do ego e a magnitude que somos, não fazemos sozinhos. É um convite para caminharmos juntos.
🔗Se você sente de assistir e ouvir esse conteúdo, acesse o link: https://youtu.be/ggdR4L2KQzg
Com Amor,
Pri.
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Quanto me emociono com seus textos. Quanta clareza para questionar o que é necessário. Quanta cura em cada leitura, gratidão por tanto. Viva tanta luz! Permita que ela brilhe e se estenda cada dia mais.